Moda Insights – O que Aconteceu

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Com a temática moda, mercado e diferencial, o Moda Insights 2010 contou com três dias de palestras e grandes nomes do mercado de moda brasileiro.

Spirito Santo

Abrindo o evento, os empresários Andreas Renner Mentz e Frederico Renner Mentez, irmãos e donos da marca Spirito Santo falaram sobre a trajetória da marca, há 4 anos posicionada no mercado gaúcho.

Com influências do universo rock’roll e buscando a sofisticação da alfaiataria, a SPT SNT busca refletir em suas peças a verdade e história de seus criadores.

Andreas contou que a ideia de fazer “alfaiataria com alma” surgiu após ele passar pelo constrangimento de não estar vestido adequadamente em um evento formal, e ao buscar um terno, não encontrar nenhum que correspondesse ao seu life style.

Os irmãos, que abriram mão de carreiras promissoras para aventurarem-se na moda enfatizaram que para abrir uma marca é necessário sobretudo coragem, e que empreender sempre é fundamental.

Investir e acreditar no sucesso, possuir entusiasmo ao vender a ideia e valorizar sempre a equipe foram os conselhos que Andreas e Frederico deixaram para o público. Segundo eles a criação é uma escola sem fim, um desafio constante e uma busca incessante e que paciência e disciplina são indispensáveis, afinal acima de tudo, uma marca de roupas é um negócio.

 

Neon

Em um clima de descontraído bate papo, Dudu Bertholine e Rita Comparato trouxeram a história de sucesso da Neon. Os dois, que são amigos desde os tempos da faculdade de moda, iniciaram o trabalho de criação da marca de forma despretensiosa, fazendo maiôs de lycra com os recursos que tinham em mãos, como uma opção criativa á seus trabalhos diários.

A criação da primeira estampa exclusiva fez a Neon marca ganhar notoriedade. Trabalhando com o conceito de cruzamento de praia com cidade, valorizando modelagens diferenciadas e brincando com a plasticidade das roupas, a marca foi afirmando sua identidade no mercado.

O sucesso comercial demorou um pouco mais: mesmo os desfiles trazendo visibilidade e críticas positivas da imprensa especializada, as vendas não eram significativas. Dudu relatou que o trabalho de posicionamento nas coleções de inverno foi um dos grandes desafios.

O trabalho de criação é feito em conjunto, mas cada um dos estilistas possui um foco. Enquanto Rita está diretamente ligada ao produto, Dudu busca parcerias e cuida da comunicação.

Para finalizar a palestra, Dudu comenta a importância da confiança no próprio trabalho, para ouvir críticas tanto negativas quanto positivas sem deixar influenciar-se por elas.

 

Mesa Temática: Diferencial Competitivo Gaúcho.

 

A programação do segundo dia do evento iniciou com uma mesa temática comandada por Juliana Laguna, blogueira especializada em Marketing e Moda. Ainda na mesa, Helen Rödel, da marca Rödel La e Antônio Torriani e Felipe Pedri, da Vulgo.

Juliana apresentou cases de marcas de moda referenciadas por suas ações estratégicas coerentes com sua identidade e com seu consumidor. A blogueira refletiu sobre a moda gaúcha, ainda focada demais no mercado interno.

Reforçando a ideia de diferencial competitivo, Helen contou a trajetória de sua marca, criada em 2007 e divulgada inicialmente através de mídias eletrônicas. Por contar com recursos limitados, a estilista ofertou seus produtos a cinco mulheres de diferentes países, que em troca tiraram fotos e lhe enviaram.

Segundo Helen, localizar um nicho não explorado tem a ver com definir a identidade da marca, que no seu caso foi trabalhar com peças em crochê. Helen foi convidada a desfilar sua primeira coleção na Islândia e recentemente, confeccionou acessórios para o desfile da 2nd Floor.

Antônio e Felipe trouxeram a história da Vulgo, marca porto alegrense, que desde seu início em 2003 busca a diferenciação pelo intangível. É da marca a primeira loja brasileira com o conceito de pop up store.

Outras formas de divulgação da Vulgo são o marketing de guerrilha e o forte apelo á internet, sendo que este último possibilita focar diretamente no público desejado, aquele que procura a marca e a segue.

Os empresários destacaram que ao projetar uma marca deve-se pensar nela como uma pessoa: como ela é, como se sente e o que gosta.

 

Daspu

 

Gabriela Leite é idealizadora da ONG DaVida, uma organização fundada no Rio de Janeiro em 1992, com a missão de criar oportunidades para o fortalecimento da cidadania das prostitutas e objetivando melhores condições de trabalho e o fim do estigma de mulher marginalizada.

Em uma “conversa de butequim”- como Gabriela define – em 1995, surgiu a ideia de trabalhar com moda, e de forma irreverente e contestadora, surgiu o nome Daspu – em alusão ao conglomerado Daslu.

A mídia espontânea que surgiu em torno da polêmica alavancou a marca. Gabriela organizou as colegas prostitutas, chamou amigos estilistas e teve início então a produção de camisetas com frases divertidas.

O processo criativo conta com o auxílio de estudantes de moda, as prostitutas escolhem os croquis e a produção é tercerizada. Atualmente a grife conta com uma coleção por ano e constante reedição das peças de maior vendagem.

Daspu é, segundo Gabriela, uma moda urbana e cosmopolita. De forma descontraída, Gabriela Leite falou abertamente sobre os preconceitos da sociedade em relação a profissão, e fez questão de ressaltar que a hipocrisia é o que impede a sociedade de evoluir.

 

Maxitex

Com o tema “Diferencial de desenvolvimento de produtos ecosustentáveis”, Robson Lhul trouxe ao terceiro dia do Moda Insights o case da empresa Maxitex.

 Localizada em Sapucaia, RS, a empresa que está a 16 anos no mercado trabalha com o desenvolvimento de têxteis a partir de resíduos destinados ao descarte.  Robson falou sobre a preocupação ambiental da Maxitex, que trabalha com geração mínima de resíduos, além do reaproveitamento do conical – cone onde o fio é enrolado.

A empresa foi a primeira a trabalhar com o fio 100% ecológico feito de garrafas PET, a 7 anos atrás. O processo de reaproveitamento inicia pelo trituramento da garrafa. Os pedaços de PET, flakes, são transformados em fibra, depois em fio e só então levados a uma tecelagem terceirizada para a fabricação do tecido. O empresário destacou que nesse processo não são acrescentados corantes nem produtos químicos.

Resultante desse processo, apenas tecidos crus, ou verde pastel, devido a coloração das garrafas. A fim de suprir a demanda do mercado por tecidos coloridos, a Maxitex inovou novamente criando um tecido a partir de sobras de malhas oriundas de quebra de produção e de roupas velhas, acrescentando em sua cartela 27 novas cores.

Segundo Robson, muitas empresas pregam o marketing verde, misturando o fio 100% PET á outras fibras, mas que o trabalho da Maxitex prima pelo padrão de qualidade.

Além dos tecidos ecológicos a empresa trabalha com parcerias com a COE, doando mensalmente de 4 a 5 toneladas de resíduos ecológicos de suas fábricas para fabricação de edredons por artesãs de Porto Alegre, auxiliando na geração de trabalho e renda.

 

Filme Fashion

Finalizando o evento, Alexandra Farah trouxe ao público sua experiência a frente do projeto Festival Bienal Filme Fashion. Formada em Jornalismo, Alexandra especializou-se em moda e desde 2003 é curadora do Filme Fashion.

O primeiro festival reuniu filmes sobre o tema “Grandes Estilistas do Cinema”. Já para o segundo Filme Fashion o gênero musical foi explorado. Em 2007, com a intenção de voltar-se ao mercado cinematográfico brasileiro, Alexandra reuniu 15 filmes nacionais.

Na última edição da mostra, a intenção foi explorar os documentários. Segundo a jornalista, em decorrência do crescimento da indústria do luxo na última década o número de filmes do gênero sofreu um boom.

A partir de 2006, Alexandra desenvolve o blog Filme Fashion, que aborda assuntos  relativos a moda, cultura, arte e comportamento.

Atualmente assina a coluna de moda do jornal Brasil Econômico, escreve para a revista Vogue e desenvolve o RG Vogue TV.

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