Design Thinking

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Tom Kelley construiu para si uma aparência propositalmente pouco convencional. O bigode cheio, cultivado há 15 anos, lembra o jornalista cômico Borat ou, para ficar em um personagem relativamente recente das páginas dos jornais, o cantor Belchior. A gravata listrada na horizontal, nas cores amarelo, azul, verde, pink e laranja, da loja de presentes do Museu de Arte Contemporânea de Chicago, é de estimação. Ele a usa em todos os eventos importantes. Quando está sentado, com a barra da calça levantada, aparecem as meias, também listradas, também coloridas, compradas recentemente em uma feira de rua em Copenhague, na Dinamarca. Quando está em pé, impressiona pelo porte. Apesar de magro, mede mais de 1m90.

A estampa fora dos padrões tem paralelo em seu trabalho, pela visibilidade. Kelley é o gerente-geral da americana Ideo (pronuncia-se ai-di-ô), a mais influente, mais reconhecida e mais premiada agência de design do mundo. Em pouco mais de três décadas, a empresa desenvolveu cerca de 4 mil produtos e serviços, registrou por volta de mil patentes para 267 empresas e ganhou 350 prêmios internacionais. Seu faturamento anual alcança US$ 100 milhões. A Ideo ficou entre as dez empresas mais inovadoras na mais recente lista publicada pela Fast Company, junto com Google, Apple, Amazon e Intel. Segundo a revista, a Ideo antes desenhava objetos. Agora, muda comportamentos.

Kelley também já recebeu muitas homenagens individuais. Em maio, ganhou o prêmio em liderança da Escola de Negócios da Fundação Kellogg, uma honra já concedida a personalidades como Fred Smith, fundador da FedEx, e o investidor Warren Buffett. É fácil entender tanto reconhecimento. Como coordenador de todos os projetos da Ideo, Kelley é um dos formuladores do chamado design thinking, movimento que começa a redesenhar o mundo dos negócios. “Quando se fala em design, muita gente pensa em um clube para o qual não é bem-vinda”, disse Kelley em entrevista a Época NEGÓCIOS. Ele veio a São Paulo participar de um seminário de marketing realizado pela Federação Brasileira de Bancos. “Mas o design thinking está mudando tudo. As pessoas começam a entender que o design existe para ajudá-las.”

A Ideo desenvolveu 4 mil produtos e ganhou 350 prêmios internacionais

O design thinking é uma ferramenta que ajuda a empresa a pensar com a cabeça do consumidor. As aspirações do cliente são, então, decifradas e traduzidas em um objeto inovador, único. É como um design sob medida, não apenas pelo compromisso com a estética, mas, principalmente, pela funcionalidade. A essência desse processo de criação está em formular as perguntas certas. Para quem é esse produto? Quais são os concorrentes? Que hábitos e necessidades podemos identificar nas pessoas para diferenciar o portfólio? Todas essas questões podem ser resumidas em uma só sentença: de que produto as pessoas precisam? As respostas ajudarão os fabricantes a elaborarem uma estratégia eficaz de produção, distribuição e venda. O resultado deve seguir três requisitos. Precisa ser desejável, tecnicamente possível e mercadologicamente viável.

Os consumidores podem apontar suas necessidades, mas geralmente não têm a capacidade de imaginar o futuro. Esse desafio foi percebido há tempos pelos empresários. “Se eu tivesse perguntado o que os clientes queriam”, disse Henry Ford, inventor da linha de montagem industrial e da era do consumo de massa, “eles teriam escolhido um cavalo mais rápido.” No início do século passado, quando as cidades começavam a se expandir, as pessoas perceberam a necessidade de um meio de transporte mais veloz. Mas não tinham meios para chegar a uma solução inovadora.

Da mesma forma, a importância do design como atalho para se diferenciar da concorrência não é um conceito recente. Nos anos 50, Thomas Watson Jr., herdeiro do fundador da IBM, cunhou uma frase célebre: “Bom design é bom negócio”. Os computadores, então, eram máquinas enormes e lentas, voltadas especificamente para uso militar, governamental ou científico. Em 1964, Watson lançou a linha 360, a primeira família de equipamentos capaz de integrar todas as atividades de processamento de dados. O primeiro computador compatível da IBM revolucionou a informática e virou referência para os atuais modelos. 

http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI108968-16642,00-DESIGN+SOB+MEDIDA.html

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